Baterias de carros elétricos poluem mais? O que dizem especialistas sobre mineração, incêndios e impactos ambientais
Baterias são de longe o componente mais caro e continuam sendo um dos principais pontos vulneráveis dos carros elétricos — Foto: John Walton/PA Wire/picture alliance
Pesquisadores afirmam que parte das críticas às baterias dos veículos elétricos tem fundamento, mas destacam avanços tecnológicos e mudanças na produção.
As baterias dos carros elétricos estão no centro do debate sobre a transição energética. Enquanto críticos apontam riscos ligados à mineração, à poluição e aos incêndios, pesquisadores afirmam que parte dessas preocupações é legítima, mas destacam que a tecnologia evoluiu e que algumas informações são apresentadas sem contexto.
Segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), as vendas de veículos elétricos continuam crescendo em diferentes regiões do mundo. Ao mesmo tempo, fabricantes investem em novas tecnologias de baterias para reduzir custos, diminuir a dependência de minerais críticos e ampliar a segurança.
O que você precisa saber
- O fato: especialistas analisam as principais críticas às baterias dos carros elétricos.
- Quando: o debate ocorre em meio ao crescimento das vendas de veículos elétricos em 2026.
- Onde: discussão envolve a indústria automotiva e cadeias globais de mineração.
- Importa porque: as baterias são o componente mais caro dos veículos elétricos e concentram boa parte das dúvidas sobre seus impactos ambientais.
Crescimento das vendas amplia o debate sobre as baterias
De acordo com a Agência Internacional de Energia, as vendas de veículos elétricos aumentaram em diversas regiões do mundo em 2026. A América Latina registrou crescimento de aproximadamente 75%, enquanto a Europa teve alta próxima de um terço. Na região Ásia-Pacífico, sem considerar a China, o avanço foi de cerca de 80% nos primeiros meses do ano.
O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou que a redução no preço das baterias deve impulsionar ainda mais o mercado de veículos elétricos nos próximos anos.
Incêndios em carros elétricos geram dúvidas
Uma das críticas mais frequentes envolve o risco de incêndio nas baterias de íons de lítio. Especialistas reconhecem que esse tipo de ocorrência exige procedimentos específicos para combate às chamas, mas destacam que veículos movidos a combustíveis fósseis apresentam maior propensão a incêndios.
Outro argumento frequentemente citado é o suposto aumento do desgaste das rodovias pelo peso dos veículos elétricos. Pesquisadores afirmam que os caminhões de grande porte continuam sendo os principais responsáveis pelos danos ao pavimento.
Mineração de cobalto desperta preocupações reais
A extração de minerais como cobalto e níquel continua sendo um dos principais desafios da cadeia de produção das baterias. Reportagens sobre minas na República Democrática do Congo mostraram problemas como trabalho infantil, condições precárias e impactos ambientais, reforçando preocupações sobre a origem desses materiais.
Especialistas, porém, observam que boa parte das baterias mais recentes já utiliza a tecnologia de fosfato de ferro-lítio (LFP), que dispensa o uso de cobalto. Também avançam pesquisas com baterias de íons de sódio, que reduzem ainda mais a dependência de minerais críticos.
Indústria busca reduzir dependência de minerais críticos
Segundo David McElrea, diretor-executivo do Smart Energy Council, os fabricantes passaram a substituir o cobalto porque o material é caro, tóxico e envolve questões éticas relacionadas à mineração. O professor de química Neeraj Sharma, da Universidade de Nova Gales do Sul, afirma que novas composições químicas já começam a chegar ao mercado.
A Agência Internacional de Energia também destaca que a expansão da reciclagem de baterias e o desenvolvimento de novas tecnologias deverão reduzir a pressão sobre a extração de minerais nas próximas décadas.
Especialistas defendem avaliação baseada em evidências
O especialista em minerais críticos Vlado Vivoda afirma que as preocupações com impactos ambientais, condições de trabalho e concentração da produção são reais e devem ser enfrentadas. Ao mesmo tempo, ele defende que a comparação entre veículos elétricos e modelos movidos a combustíveis fósseis seja feita com base em dados e transparência.
Segundo a Agência Internacional de Energia, as reservas conhecidas de minerais críticos são suficientes para atender à demanda de longo prazo prevista para veículos elétricos. A entidade ressalta, porém, que a concentração da produção de baterias na China ainda representa um desafio para as cadeias globais de suprimento.
Fonte: G1
