Casas Bahia fecha 298 lojas e demite cerca de 1,9 mil funcionários no Brasil
A Casas Bahia fechou 298 lojas no Brasil entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14) Foto: Diário do Rio/Reprodução
Reestruturação reduz em 28,7% o número de lojas da rede e ocorre após prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre de 2026
A Casas Bahia fechou 298 lojas e demitiu cerca de 1,9 mil funcionários no Brasil entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14), segundo informações apuradas pelo Valor. As medidas fazem parte de um plano de redução de despesas adotado pela varejista após uma sequência de prejuízos.
O fechamento representa 28,7% das pouco mais de mil lojas da rede no país. Cerca de 600 funcionários foram desligados na quinta-feira, enquanto outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes estavam previstos para esta sexta, de acordo com duas fontes ouvidas pelo Valor.
O que você precisa saber
- O fato: A Casas Bahia fechou 298 lojas e iniciou uma rodada de demissões.
- Quando: Os fechamentos e cortes ocorreram entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14).
- Onde: As medidas atingem operações da empresa em todo o Brasil.
- Importa porque: O corte reduz em 28,7% a rede de lojas e ocorre após um prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre de 2026.
A reestruturação reduz quase um terço da rede de lojas
A Casas Bahia encerrou 2025 com 1.042 lojas, contra 1.064 no ano anterior. Em 2023, eram 1.078 unidades das redes Casas Bahia e Ponto Frio. Nos 12 meses até março de 2026, a companhia havia fechado 26 lojas, sendo 12 da Casas Bahia e 14 do Ponto Frio.
O fechamento de 298 unidades em poucos dias representa uma redução muito maior do que a registrada nos últimos anos. Em gestões anteriores, os cortes eram mais distribuídos e ficavam na faixa de 20 a 30 lojas por ano.
No balanço do primeiro trimestre, a empresa informou que acompanha o desempenho de cada loja e centro de distribuição e encerra operações que não geram valor.
Demissões atingem cerca de 6,7% dos funcionários
Segundo duas fontes ouvidas pelo Valor, aproximadamente 600 funcionários foram desligados na quinta-feira. Outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes estavam previstos para sexta-feira, levando o total para cerca de 1,9 mil demissões.
Esse número equivale a aproximadamente 6,7% dos funcionários da varejista. Uma terceira fonte citada pelo Valor estima que o total de desligamentos possa chegar a 3 mil.
Até o momento da apuração, a Casas Bahia não havia se manifestado sobre os cortes.
Prejuízo bilionário pressiona a companhia
A reestruturação ocorre após um prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão registrado pela Casas Bahia no primeiro trimestre de 2026. O resultado foi mais que o dobro da perda registrada no mesmo período de 2025.
A companhia também enfrenta despesas financeiras elevadas e o impacto do endividamento dos consumidores, que reduz o poder de compra.
Em 2024, a Casas Bahia entrou em recuperação extrajudicial para reorganizar sua estrutura de capital. O processo foi concluído depois de um acordo com bancos.
No primeiro trimestre de 2026, a dívida líquida da empresa diminuiu principalmente pela conversão de dívidas de credores em ações. Apesar da redução, a varejista continuou registrando prejuízo.
A empresa busca reduzir despesas e melhorar o caixa
O fechamento das lojas e as demissões fazem parte de um plano de redução de custos que a companhia deve detalhar ao mercado. A reestruturação gera despesas no curto prazo, principalmente com rescisões e outros custos relacionados aos desligamentos, mas a expectativa da empresa é reduzir os gastos operacionais no médio e longo prazo.
Segundo o Valor, a Casas Bahia também vem tentando melhorar o ciclo financeiro. Entre as medidas estão o adiamento de pagamentos a lojistas do marketplace e a negociação de prazos maiores com fornecedores da indústria.
A companhia adiou a divulgação dos resultados do segundo trimestre. O balanço, previsto inicialmente para quarta-feira (12), será apresentado nesta sexta-feira (14). A teleconferência com analistas está marcada para segunda-feira (17).
Vendas digitais tiveram crescimento no início do ano
Apesar do resultado negativo, a receita bruta consolidada da Casas Bahia cresceu 6,4% no primeiro trimestre, para R$ 8,8 bilhões.
As vendas digitais de produtos próprios cresceram 26% no período. Parte dessas vendas ocorre pelo Mercado Livre. A receita do marketplace, por outro lado, caiu 0,6%, enquanto a receita das lojas físicas recuou 1,8%.
A margem bruta ficou estável em 30,3%. A redução da rede física e do quadro de funcionários faz parte da estratégia da companhia para diminuir despesas, melhorar a geração de caixa e buscar a recuperação dos resultados.
Fonte: ND Mais
