Passageiro é parcialmente sugado após janela quebrar em voo da Ryanair; caso lembra acidente que deixou piloto pendurado para fora do avião
Aeronave BAC 1-11 que perdeu a jenela frontal em pleno voo, em imagem feita no aeroporto de Birmingham em 1989 — Foto: Rob Hodgkins/Creative Commons
Aeronave fez pouso de emergência na Grécia após uma janela ser atingida durante o voo. Episódio relembra o voo da British Airways, em 1990, quando um comandante sobreviveu após ficar cerca de 20 minutos parcialmente para fora da cabine.
Um voo da Ryanair precisou fazer um pouso de emergência no aeroporto de Tessalônica, na Grécia, nesta sexta-feira (10), após uma janela da aeronave quebrar durante o voo. Segundo a imprensa europeia, um passageiro foi parcialmente sugado para fora do avião e recebeu atendimento médico após o pouso.
De acordo com as informações divulgadas por veículos europeus, uma peça do motor se desprendeu e atingiu a janela. O voo seguia de Tessalônica para Memmingen, na Alemanha. Casos desse tipo são considerados raros na aviação comercial e lembram um dos acidentes mais conhecidos da história da aviação, registrado em 1990 com um avião da British Airways.
O que você precisa saber
- O fato: um passageiro foi parcialmente sugado após a quebra de uma janela durante um voo da Ryanair.
- Quando: sexta-feira (10).
- Onde: durante um voo entre Tessalônica, na Grécia, e Memmingen, na Alemanha.
- Importa porque: o episódio chama atenção para um tipo de ocorrência extremamente raro na aviação comercial.
Acidente lembra episódio histórico da British Airways
O caso mais conhecido envolvendo descompressão explosiva ocorreu em 10 de junho de 1990, durante o voo 5390 da British Airways. Na ocasião, o comandante Timothy Lancaster, de 42 anos, foi parcialmente lançado para fora da cabine quando o para-brisa frontal esquerdo se desprendeu em pleno voo.
O avião, um BAC 1-11, havia decolado de Birmingham, na Inglaterra, com destino a Málaga, na Espanha. A aeronave transportava 87 pessoas, sendo 81 passageiros e seis tripulantes.
Comissários impediram que o piloto fosse lançado da aeronave
Logo após a descompressão, o comandante ficou preso apenas pelas pernas enquanto cabeça e tronco permaneceram para fora da cabine. O comissário Nigel Ogden segurou Lancaster pelas pernas até receber ajuda de outros tripulantes, enquanto o copiloto Alastair Aitchison assumiu os controles e declarou emergência.
O avião desceu para uma altitude mais baixa e pousou em segurança no aeroporto de Southampton cerca de 22 minutos após o início da emergência. Durante todo esse período, a tripulação não sabia se o comandante ainda estava vivo.
Investigação apontou erro de manutenção
Lancaster sobreviveu ao acidente com fraturas no braço e no pulso, além de queimaduras provocadas pelo frio extremo. O comissário Nigel Ogden sofreu queimaduras e deslocamento no ombro. Os demais ocupantes desembarcaram sem ferimentos.
A investigação concluiu que o para-brisa havia sido instalado com parafusos de diâmetro menor do que o especificado durante uma manutenção anterior. As peças não suportaram a diferença de pressão entre o interior da cabine e o ambiente externo, provocando o desprendimento do vidro.
Descompressão já provocou outro acidente fatal
Outro caso marcante ocorreu em 2005 com o voo Helios 522. Após uma falha de pressurização, passageiros e tripulantes perderam a consciência durante o voo e a aeronave caiu em uma região montanhosa da Grécia. Diferentemente dos episódios envolvendo a British Airways e a Ryanair, ninguém sobreviveu.
Até o momento, as informações sobre o incidente com a Ryanair são baseadas em relatos divulgados pela imprensa europeia. As circunstâncias da quebra da janela deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação do caso.
Fonte: G1
