Loja de capinhas movimentou R$ 50 milhões do tráfico em dois anos, diz MPRJ; dona é presa

 Loja de capinhas movimentou R$ 50 milhões do tráfico em dois anos, diz MPRJ; dona é presa

Polícia Civil e MPRJ fazem operação contra esquema que lavou mais de R$ 100 milhões para facções criminosas — Foto: Reprodução

Operação Hawala investiga esquema de lavagem de dinheiro ligado ao TCP, CV e PCC; força-tarefa cumpriu prisões e mandados em quatro estados.

Uma loja de capinhas de celular registrada com capital social de R$ 50 mil movimentou quase R$ 50 milhões em dois anos, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). De acordo com as investigações, a maior parte dos recursos teria origem nas atividades criminosas do Terceiro Comando Puro (TCP).

A dona da empresa, Bárbara Luzia Souza de Carvalho, foi presa na quarta-feira (15) durante a Operação Hawala, realizada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo MPRJ. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 100 milhões em três anos e atendido diferentes facções criminosas.

O que você precisa saber

  • O fato: Loja de capinhas é apontada como parte de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico.
  • Quando: As prisões ocorreram na quarta-feira (15).
  • Onde: A operação foi realizada no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu.
  • Importa porque: A investigação aponta a movimentação de cerca de R$ 100 milhões por uma estrutura financeira ligada ao crime organizado.

Operação investiga esquema de lavagem de dinheiro

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro e a Polícia Civil, o grupo utilizava empresas de fachada para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas. As investigações apontam que a estrutura atendia integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Além da comercialização de produtos, as empresas investigadas também seriam usadas para movimentar recursos financeiros e negociar mercadorias falsificadas e eletrônicos roubados.

Dez pessoas foram presas na operação

Ao todo, dez pessoas foram presas durante a Operação Hawala. Entre elas estão Bárbara Luzia Souza de Carvalho e os irmãos libaneses Reda, Yasser e Kassem Zayoun, apontados pela investigação como responsáveis pela expansão interestadual e internacional da estrutura financeira do grupo.

Também foram cumpridos 37 mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu. A Justiça determinou ainda o bloqueio de ativos financeiros, além da indisponibilidade de bens e participações societárias dos investigados.

Investigação começou com venda de produtos falsificados

De acordo com a investigação, o trabalho teve início na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que identificou uma loja instalada no Complexo do São Carlos, no Rio de Janeiro, suspeita de vender produtos falsificados e receber eletrônicos roubados.

As apurações indicam que Bárbara Luzia era esposa do proprietário da loja investigada e figurava como dona da Babe Shopee Cell. A partir do rastreamento financeiro, os investigadores identificaram dezenas de empresas de fachada distribuídas em diferentes estados. Segundo a Polícia Civil, o grupo também utilizava a prática conhecida como “smurfing”, com depósitos fracionados em dinheiro para dificultar a identificação das operações financeiras.

Investigadores apuram possível ligação internacional

Durante as investigações, os agentes identificaram uma relação comercial entre uma empresa ligada ao grupo e o egípcio Haytham Ahmad Shukri, investigado pelo governo dos Estados Unidos por suspeita de ligação com a organização terrorista Al-Qaeda.

O delegado Pedro Brasil afirmou que essa informação ainda está em fase de apuração. “São dados que ainda estão crus, que ainda não dá para confirmar esse vínculo”, declarou.

O Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) denunciou 22 pessoas. A denúncia foi aceita integralmente pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, tornando todos os investigados réus no processo.

Fonte: G1

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